Atualizado 23/03/2018

O que acontece com as células quando elas morrem? Estudo explica

Cientistas descrevem novo processo de limpeza de restos mortais das células e detalham outros. Mecanismo é essencial para o organismo e pode evitar disfunções do sistema imunológico.

Já sabemos que nossas células morrem ao longo da vida e muitas pesquisas se concentram no porquê isso ocorre. Um estudo publicado na "Nature Cell Biology", no entanto, focou em outros questionamentos: o que será que ocorre com os restos mortais de nossas células? Eles estão associados a outras doenças e disfunções do corpo?

 

Pesquisadores associados ao estudo explicam que, quando uma célula morre, normalmente outras células descem para limpar os seus restos mortais. Elas são chamadas de "fagócitos" e têm o papel de aspirar os restos celulares.

 

Há, no entanto, outros processos de morte celular ainda por serem descobertos. Cientistas sabem que a morte de células mais elaboradas, como os neurônios, é um verdadeiro desafio para os fagócitos.

 

Para descobrir outros processos de "limpeza" de restos mortais de células, cientistas estudaram as células específicas de um verme: o C. elegans.

 

A célula escolhida do verme fornece suporte estrutural durante a formação da cauda. Depois que forma a cauda, a célula entende que cumpriu o seu papel e se destroi.

 

Por que as células morrem?

 

O processo de morte celular é definido como "apoptose" e há dois tipos principais: o natural e o patológico
Há as mortes celulares naturais: para esculpir os dedos das mãos dos fetos, por exemplo, algumas células vão se autodestruindo
As células também morrem por doenças e problemas ambientais - como infecções por vírus e radiação

Fonte: Hemocentro/Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP)

 

Com imagens de alta resolução, cientistas observaram que os restos mortais dessa célula vai ser eliminado de duas maneiras:

 

A parte central vai se enrolando até virar uma espécie de bolinha, que vai ser eliminada por uma célula vizinha. Os extremos da célula são dissolvidos por uma substância específica, a EF-1, um achado importante da pesquisa.

 

De fato, as imagens capturadas pela equipe revelam que o processo começa com a parte central da célula sendo separada de sua extensão. Também os pesquisadores observaram que a limpeza de neurônios mortos ocorrem de forma similar.

 

O achado dos cientistas é importante para processos de imunidade. Algumas doenças autoimunes (quando o sistema imunológico começa a atacar tecidos saudáveis pensando que estão "doentes") estão associadas a esse processo.

 

A hipótese é que, quando uma célula morta "vaga" pelo corpo, ela pode chamar a atenção desenfreada do sistema imunológico. Ao estudar maneiras de fazer com quê essas células sejam eliminadas, novos tratamentos para essas condições podem surgir.

 

Um exemplo de doença autoimune é o Lupus. Dentre vários sintomas, a condição provoca uma inflamação nos vasos sanguíneos que pode culminar na necessidade de um transplante de rim.

Fonte: G1.globo.com
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