Atualizado 04/10/2017

Samu e bombeiros atuarão de maneira integrada a partir de 2018 em SC

Já está tudo certo: a partir de maio do ano que vem, Samu e Bombeiros passarão a atuar de maneira integrada para realizar os atendimentos pré-hospitalares em Santa Catarina. A decisão, que vinha sendo amadurecida há algum tempo, foi oficializada nesta quinta-feira, em Florianópolis. O aval já havia sido dado na última semana, depois de uma reunião da Comissão Intergestora Bipartite (CIB), que integra os órgãos estaduais e municipais de atendimento.

 

Com a mudança, o Samu passará, de maneira gradual, para uma gestão 100% estadual, sob responsabilidade do Corpo de Bombeiros e da Secretaria Estadual da Saúde. Hoje, a parte do Samu que realiza atendimentos mais básicos é gerida pelos municípios, enquanto as urgências são atendidas pelo braço estadual. A expectativa é que o Estado já tenha assumido integralmente ambas as funções até 2019. 

 

Outra alteração importante anunciada nesta quinta-feira é que todas as chamadas telefônicas passarão a ser atendidas em uma central única, que ficará na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública e estará em contato direto com as unidades regionais. Além disso, adaptações serão realizadas para que os funcionários do Samu e os bombeiros passem a trabalhar nos mesmos espaços físicos em toda Santa Catarina. 

 

O secretário estadual da Saúde, Vicente Caropreso, estima que a integração trará uma redução mensal de custos de entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, porém garante que o principal objetivo é melhorar o atendimento pré-hospitalar, em especial nos casos de urgência. 

 

— A economia virá de uma maior rapidez do atendimento e na sua qualificação. Nós já temos um Samu de excelente qualidade, mas vamos juntar todas as forças para avançar ainda mais.  — diz Caropreso.

 

Caropreso também diz que o programa de integração inclui também um trabalho de qualificação dos funcionários que atuam tanto nas ambulâncias quanto nas emergências dos hospitais. Ele qualifica a medida como uma "política de Estado", que deverá melhorar o sistema e ajudar a salvar vidas. Apesar de tudo isso, o secretário garante que não há pressa:

 

— O importante é a qualidade da mudança. Vamos dar passos seguros para que haja esse entrosamento entre Samu, Corpo de Bombeiros Militar e voluntários.

 

Diminuição do tempo de resposta

 

Para o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Onir Mocelin, umas das principais vantagens da integração será a redução do tempo de resposta para o envio de ambulâncias no caso de atendimentos emergenciais pelo Samu. O militar estima que os atendimentos poderão ocorrer entre cinco e seis minutos antes, o que muitas vezes faz diferença na hora de salvar uma vida.

 

Além disso, com os dois órgãos trabalhando juntos, não ocorrerá mais o chamado duplo atendimento. Hoje, como os bombeiros e o Samu não se comunicam, é comum que os dois sejam chamados e enviem ambulâncias para a mesma ocorrência.

 

— A central única será robusta e também vai evitar essa duplicidade (nos atendimentos). Como teremos diversas linhas, vai ser muito difícil que se perca uma ocorrência — diz o coronel.

 

Prioridade ao atendimento primário

 

Segundo o gerente geral do Samu, tenente-coronel João Batista Cordeiro Júnior, a otimização das forças também auxiliará no atendimento de ocorrências mais graves. Hoje, o Samu estadual dispõe de 23 Unidades de Suporte Avançado (UBS), que são ambulâncias mais equipadas. O problema é que, na maior parte do tempo, elas estão ocupadas fazendo transferências de pacientes entre hospitais.

 

— Vamos colocar uma unidade básica em cada macrorregião que vai ficar preferencialmente realizando as transferências. Na nossa central única, também vai ter um médico regulador que vai estar recepcionando esses pedidos de transferência e ele vai usar essas unidades mais o avião dos bombeiros para fazer prioritariamente esse serviço — explica.   

 

Como funcionam os atendimentos hoje

 

O cidadão que precisar de um atendimento pré-hospitalar hoje tem duas opções. Se ele ligar para o número 193, será atendido por um socorrista dos bombeiros. Se discar o 192, o atendimento será feito pelo Samu. Atualmente, as duas estruturas não se conversam e é frequente duas ambulâncias se deslocarem para atender a mesma ocorrência, conforme os chamados. O Samu pode realizar um atendimento mais completo, já que, no caso das Unidades de Suporte Avançado, há médicos acompanhando todo o processo e os carros são mais bem equipados. Os bombeiros realizam procedimentos mais simples, estabilizando a vítima e encaminhando-a sempre para um hospital. Uma diferença entre os dois é a forma como são realizados os despachos para as ocorrências. No caso dos bombeiros, quase sempre é emitido um alarme e a ambulância sai imediatamente. Já no Samu o processo é mais lento: o atendente passa as informações a um médico regulador, que então aciona um despachante, responsável por liberar o veículo. Esse processo pode levar até seis minutos. Com a integração, o governo do Estado garante que ocorrerá um maior entrosamento entre Samu e bombeiros, fazendo com que os procedimentos sejam aperfeiçoados e melhorando o atendimento final. 

Números da futura rede pré-hospitalar de Santa Catarina

23 Unidades de Suporte Avançado (Samu)
40 Unidades de Suporte Intermediário (Corpo de Bombeiros)
96 Unidades de Suporte Básico (Samu)
02 helicópteros (Bombeiros)
01 avião (Bombeiros)
89 Auto Socorro de Urgência (ambulâncias básicas dos bombeiros)

74 ambulâncias dos bombeiros voluntários

Fonte: Diário Catarinense
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