Atualizado 21/03/2018

Viagem ao espaço mudou o DNA do astronauta Scott Kelly? Entenda

Estudo comparou genes de Scott com os de seu irmão gêmeo, Mark. A ideia era observar os efeitos da permanência em órbita no corpo humano.

Astronautas são gêmeos idênticos: Scott e Mark Kelly (Foto: NASA)

 

 

O astronauta americano Scott Kelly voltou de uma viagem inédita em março de 2016 -- foram 340 dias a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). A agência espacial americana Nasa organizou um estudo genético comparativo para entender o que mudou no corpo de Scott em quase 1 ano no espaço, aproveitando o fato de que ele tem um irmão gêmeo idêntico chamado Mark. Os resultados preliminares apontaram que a expressão dos genes de Scott mudou cerca de 7%. Os dados da pesquisa foram atualizados nesta quinta-feira (15).

 

Mas essa informação deu origem a uma confusão na imprensa internacional: alguns veículos noticiaram que 7% do DNA de Kelly tinha mudado. Mas, na verdade, o DNA de Scott não mudou de maneira fundamental desde que voltou de sua viagem. Foram, na verdade, observadas mudanças na expressão gênica, a forma como o DNA é transcrito e traduzido para o funcionamento do nosso corpo. O DNA é o código onde estão anotadas muitas de nossas características. Esse código se expressa de uma forma - é isso que mudou, não o código em si.

 

Como explicou o jornal "The Washington Post", se o DNA de Scott tivesse mudado 7%, ele seria menos humano que um macaco rhesus.

 

O estudo reuniu 10 pesquisadores com o objetivo de otimizar a segurança e o desempenho dos astronautas durante o trabalho fora da Terra. Foram utilizadas tecnologias da medicina personalizada, como o sequenciamento genético, e análises moleculares para as funções do corpo e cérebro. Participam 12 universidades dos Estados Unidos e Alemanha.

 

Segundo a Nasa, Mark e Scott ainda são gêmeos idênticos.

 

A agência espacial explicou que esse tipo de mudança da expressão gênica observada está dentro do que já ocorreu com outros seres humanos em situações de estresse, como mergulhadores e escaladores. A mudança, segundo a Nasa, ainda pode ser considerada mínima.

 

Ainda neste ano, resultados mais amplos devem ser divulgados sobre a pesquisa.

 

Por enquanto, os pesquisadores descobriram que esse estresse é causado pela privação de oxigênio e do deslocamento extremo de nutrientes que afetam a expressão gênica no espaço. Após voltar à Terra, Scott iniciou um processo de adaptação à gravidade da Terra: alguns índices voltaram ao normal em questão de dias, outros após 6 meses.

Fonte: G1.globo.com
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