Atualizado 20/03/2019

Bolsonaro perdeu credibilidade

Áudios de conversas com Bebianno demonstram que ou bem o presidente mentiu deliberadamente, ou então foi induzido à mentira por erro primário de interpretação de texto

Quem sai mais machucado do caso Bebianno é o presidente Jair Bolsonaro. A divulgação do áudio das conversas por WhatsApp com o ex-ministro Gustavo Bebianno põe em xeque sua credibilidade, num momento em que ele precisa dela para negociar com o Congresso o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro e a reforma da Previdência do ministro Paulo Guedes.

 

Os áudios, divulgados ontem pela revista Veja, abrem apenas duas possibilidades: ou Bolsonaro mentiu deliberadamente, ou então foi induzido à mentira por uma dificuldade primária de interpretação de texto. Nas célebres palavras de Eça de Queirós, trata-se de “má-fé cínica” ou “obtusidade córnea” (ou ambas). Basta seguir o roteiro do caso para entender por quê.

 

A confusão começou com o tuíte do vereador Carlos Bolsonaro no dia 13, logo depois que seu pai saiu do hospital em São Paulo: “Ontem estive 24 horas do dia ao lado do meu pai e afirmo: É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano (sic) que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista”.

 

Noutro tuíte, Carlos reproduzia o áudio de uma mensagem em que o pai se recusa a falar com Bebianno. O tal “assunto citado pelo Globo” eram acusações contra Bebianno de envolvimento no escândalo do laranjal do PSL denunciado dias antes pela Folha de S.Paulo: o uso de candidaturas femininas de fachada para desviar recursos do fundo eleitoral.

 

Na véspera, Bebianno dissera ao Globo ter falado três vezes com Bolsonaro. O texto afirma literalmente: “Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o presidente — disse Bebianno ao Globo, afirmando que a conversa se deu por mensagens no WhatsApp”. O tema de uma das conversas, prossegue o jornal, fora, segundo Bebianno, o cancelamento de uma viagem ao Pará. O meio de comunicação também está claro: o aplicativo de mensagens WhatsApp.

 

No mesmo dia em que Carlos soltou seus tuítes, o pai gravara uma entrevista ainda no hospital à TV Record, que foi ao ar logo depois. Na entrevista, Bolsonaro reforçava a versão do filho, de que Bebianno havia mentido e afirma que, se estivesse envolvido no caso do laranjal, deveria “voltar às origens”.

 

Bastou a Bebianno, para desmentir Carlos e o pai, apresentar os áudios das três conversas de WhatsApp com Bolsonaro no dia 12. Foi o que a revista Veja divulgou ontem. Na primeira, Bolsonaro se queixa de uma reunião agendada entre Bebianno e um executivo do Grupo Globo e pede que seja cancelada. Na segunda, ele questiona sobre a viagem de ministros agendada para a Amazônia. Na terceira, ordena o cancelamento da missão.

Fonte: G1.COM
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