Atualizado 24/05/2019

Como nossos dentes podem ajudar a ciência

Depois de perder um dente ao cair enquanto brincava, a professora Tamiris de Souza Rodrigues, na época com 12 anos, recebeu atendimento na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao ser avaliada, os dentistas informaram à menina que o dente não poderia ser recolocado e seria substituído por um de resina.

 

"Os dentistas me explicaram, então, que eu poderia doar meu dente para pesquisas na universidade, e eu o doei", lembra Tamiris.

 

O dente permanente da professora infantil foi para um Banco de Dentes Humanos, uma instituição sem fins lucrativos vinculada às universidades, que utilizam dentes humanos para desenvolverem estudos como parte de cursos de graduação, mestrado e doutorado.

 

"Inúmeras pesquisas utilizam dentes em seus estudos. As mais comuns são: endodontia (tratamentos de doenças e lesões da polpa dentária), dentística (odontologia estética e restauração), ortodontia (alinhamento dos dentes), odontopediatria, próteses e implantes", explica o professor José Carlos Imparato, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

 

"Nos dentes dos Bancos de Dentes Humanos, aprimoramos técnicas com os alunos e pesquisadores para tratar canais, testamos materiais, como as massinhas para cobrir buracos deixados por cárie e etc", prossegue Imparato. "São graças às pesquisas com dentes cariados, por exemplo, que hoje é muito menos invasivo retirar uma cárie."

 

Atualmente, Tamiris é mãe de um menino de cinco anos que acabou de perder o primeiro dente de leite. Em vez de jogar o dente no lixo ou deixá-lo para a "fada do dente", Tamiris mais uma vez doará o dente às pesquisas.

 

A iniciativa pode ser repetida por qualquer pessoa, explica Imparato - que é coordenador do BioBanco de Dentes da Faculdade de Odontologia da USP.

 

"Quaisquer dentes são aproveitados nos Bancos de Dentes Humanos tanto para a pesquisa como para o ensino: dentes sadios, restaurados, cariados, fraturados, permanentes ou decíduos (dentes de leite). Até o dente do siso serve para pesquisas e pode ser doado", explica Imparato.

 

Além das pesquisas odontológicas, nos anos 1990 a comunidade científica mundial descobriu que a polpa dentária era rica em células-tronco e, desde então, os dentes também têm sido usados em pesquisas sobre regeneração óssea e doenças genéticas, como o autismo.

 

 

Fonte: bbc.com
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