Atualizado 04/01/2019

Damares diz que não se arrepende de frase polêmica e que nenhum direito adquirido será retirado

Em vídeo, ministra diz que 'meninos vestem azul e meninas vestem rosa'.

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou na noite de quinta-feira (3) em entrevista à GloboNews que não se arrepende da declaração polêmica que deu logo após assumir o cargo, sobre cores para meninos e meninas. Ela também disse que o governo Bolsonaro não vai acabar com nenhum direito adquirido pela população LGBTI.

 

Na entrevista ao 'Jornal das Dez', Damares voltou a dizer que a frase em que afirma que "menino veste azul e menina veste rosa" era uma "metáfora" contra o que chama de "ideologia de gênero", e explicou a declaração ao responder se estava arrependida, diante da repercussão da fala.

 

"De jeito nenhum. Foi uma metáfora. Nós temos no Brasil o 'Outubro Rosa', que diz respeito ao câncer de mama com mulheres, temos o 'Novembro Azul', que é com relação ao câncer de próstata com o homem. Então quando eu disse que menina veste cor de rosa e menino veste azul, é que nós vamos estar respeitando a identidade biológica das crianças", disse.

 

A frase foi registrada em um vídeo feito por apoiadores, logo após Damares assumir o ministério. Ao final da fala, a ministra foi aplaudida pelo público que a cercava em uma sala.

 

A declaração provocou repercussão e foi criticada, ficando entre os assuntos mais comentados nas redes sociais nesta quinta-feira. Foi criada também a hashtag "cor não tem gênero". O cantor Caetano Veloso divulgou uma foto, usando cor de rosa.

 

A Associação Nacional de Travestis e Transsexuais disse em nota que a declaração da ministra "fere a liberdade individual, o direito à autodeterminação e a dignidade da população trans".

 

Ainda durante a entrevista na GloboNews, Damares foi questionada sobre políticas públicas para a população LGBTI, e afirmou que "nenhum direito adquirido será violado pelo governo Bolsonaro", ao comentar sobre a adoção de crianças por casais gays.

 

"Os homossexuais já podem adotar, e nós não queremos mudar isso. Nenhum direito adquirido vai ser violado pelo governo Bolsonaro, que isso fique claro. O homossexual já pode adotar uma criança. Qualquer pessoa acima dos 21 anos pode, desde que tenha 16 anos de diferença do adotante para o adotado, então isso é direito adquirido".

 

Sobre a Medida Provisória assinada por Bolsonaro que não deixa explícito que a comunidade LGBTI faz parte das políticas e diretrizes destinadas à promoção dos direitos humanos, como constava anteriormente, Damares Alves afirmou que o assunto ficará subordinado à Secretaria Nacional de Proteção Global, e que houve apenas uma mudança de nome.

 

"A MP trouxe oito secretarias, entre elas, a Secretaria de Proteção Global, e hoje foi publicado o decreto que detalha o que tem em cada secretaria. Está lá mantida a diretoria da proteção à comunidade LGBT, não foi mexida em nada. Nós tivemos uma reunião durante a transição, com a comunidade LGBT, e a diretoria destinada à comunidade LGBT vai focar no combate à violência contra a comunidade LGBTI. Então, ela está lá, inclusive com os mesmos funcionários, ela só mudou o nome".

Fonte: g1.com
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