Atualizado 07/07/2017

Ex-prefeita e ex-vereador de Camboriú são soltos após cinco dias presos pela Operação Terra Prometida

Os dois tinham sido presos preventivamente suspeitos de envolvimento com esquema que beneficiaria empresários do ramo da construção civil.

A ex-prefeita de Camboriú Luzia Coppi Mathias e o ex-vereador Alexsander Alves Ribeiro, conhecido como Canídia, presos na Operação Terra Prometida na sexta-feira (30) foram soltos na terça-feira (4), como mostrou o Bom Dia Santa Catarina.

Eles deixaram a prisão de Canhanduba na noite de terça. Eles estavam presos preventivamente e como o prazo de cinco dias venceu, foram liberados.

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) chegou a pedir a prorrogação da prisão, mas a Justiça não aceitou. O advogado da ex-prefeita não quis comentar a liberação.

 

Prisões

Os dois foram presos suspeitos de ter participado de um esquema que tinha como objetivo alterar o Plano Diretor de Camboriú para beneficiar empresários do ramo da construção civil.

Conforme o promotor Jean Forest, foram identificados fatos e indícios claros de tentativas de interferências externas junto a testemunhas e outros investigados.

O advogado da ex-prefeita Luzia Coppi Mathias disse à RBS TV na ocasião da prisão que se manifestaria depois de conhecer o teor do processo.

Em 22 de junho, foram presos um vereador, dois ex-vereadores, um ex-prefeito de Ilhota, no Vale do Itajaí, um ex-secretário e dois empresários, todos com mandados de prisão temporárias.

Na manhã desta quarta-feira (5), o promotor de Justiça Jean Forest confirmou que todos suspeitos presos durante a operação foram soltos.

 

Gaeco fez coletiva quando deflagrou a operação 'Terra Prometida'  (Foto: Bianca Ingletto/RBS TV)

Gaeco fez coletiva quando deflagrou a operação 'Terra Prometida' (Foto: Bianca Ingletto/RBS TV)

 

Investigação

A investigação começou em 2015, depois que o Gaeco de Itajaí recebeu a informação de que vereadores de Camboriú estariam recebendo vantagens indevidas para promover mudanças no Plano Diretor do município, de modo a beneficiar empresários do ramo imobiliário. Cerca de 60 pessoas são investigadas.

Os presos na operação são suspeitos de crimes como concussão, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A operação "Terra prometida" ocorreu também nas cidades de Balneário Camboriú, Bombinhas, Ilhota, Itapema e Tijucas - esta última na Grande Florianópolis. No total, 25 mandados de busca a apreensão foram expedidos.

De acordo com o Gaeco, foram cumpridos mandados de busca e apreensão de equipamentos eletrônicos e documentos em residências, escritórios particulares e dois órgãos públicos - só foi confirmado que um deles é a Câmara de Camboriú.

 

Alteração do Plano Diretor

Entre as irregularidades apontadas pela investigação está a sugestão de troca de nomenclatura dos terrenos de área rural para urbana para valorizar o imóvel, depois de pronto.

Ainda segundo o Gaeco, servidores públicos investigados teriam recebido lotes de terrenos como pagamento de propina.

"Os benefícios eram os mais variados, desde o pagamento de valores em espécie, o que foi demonstrado nas investigações, assim como troca de entrega de lotes em troca da aprovação dos projetos junto a Câmara de Vereadores e poder executivo também", disse Jean Forest, coordenador do Gaeco.

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