Atualizado 14/02/2019

Menina de 9 anos é a primeira a jogar futebol na base de time da Série A do Brasil

Natália Pereira, a Nati, integra a equipe sub-10 do Avaí, que começa a treinar no próximo mês

Chuteira amarrada, meião levantado e laço preso atrás da cabeça. Um novo toque na bola, e entre os meninos, está prestes a aparecer nas categorias de base do Avaí. Quando a equipe sub-10 retomar os treinamentos em março, Natália Pereira estará entre os atletas. Nati, como é conhecida, passou nos testes há uma semana e se tornou a primeira menina a integrar o elenco de formação de um clube da Série A do Campeonato Brasileiro. O tratamento dado a ela foi o mesmo de qualquer jogador da idade. A garota de nove anos conquistou espaço com as próprias pernas. Apenas talento.

 

Natural de Florianópolis, a menina começou a jogar bola ainda pequenina. O dom e o incentivo dos pais fez com que entrasse em escolinha de futebol. A participação em times exclusivamente de garotos ocorreu ao natural. Jogou futsal, a artilharia em competições atestou o potencial e desde setembro integra o grupo de meninas da sua idade que treinam uma vez por mês no Centro Olímpico, grupo que reúne atletas de todo o Brasil em idade de base. Os pedidos fizeram o Avaí abrir as portas para testes por uma semana. Nati fez apenas o que sabe de melhor. Com a espontaneidade infantil, driblou preconceitos e deixou barreiras no chão.

 

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– Foi uma situação atípica para nós, porque nunca houve um teste de menina na base. Por saber do histórico dela, demos a oportunidade. E ela aproveitou, e nos surpreendeu com a qualidade técnica para estar na base. Ela tem a aprovação para estar no elenco, está no mesmo nível dos futuros companheiros dela da equipe sub-10 – atesta o coordenador da base do Avaí, Diogo Fernandes.

 

Fazer parte da base avaiana vira caminho para o desenvolvimento de Nati como atleta. A menina quer novos desafios.

 

– Aprendi muitas coisas nos lugares em que joguei até agora, e acho que no Avaí vou aprender mais ainda. No clube é uma coisa mais forte, pode ser mais legal e mais difícil – projeta a jovem atleta (conheça mais sobre ela no vídeo abaixo).

 

Não é só futebol. É personalidade. Nati assumiu o laço na cabeça como um equipamento para jogar bola, como um calção ou meião. Sob ele, no entanto, circulam sonhos. A menina é fã confessa de Marta, eleita seis vezes a melhor jogadora de futebol do mundo. Tanto que entre os sonhos da florianopolitana estão jogar na seleção brasileira e no Orlando Pride, equipe norte-americana em que a brasileira atua. Apesar do talento, há muito gramado a ser percorrido.

 

O Avaí é um trecho. De acordo com o coordenador Diogo Fernandes, Nati vai ter condições de se desenvolver como qualquer outro atleta. Na base azurra, vai ser lapidada e receber treinamentos quatro vezes por semana para aprimorar técnica e fundamentos. Tem até os 13 anos para isso. É que a legislação desportiva obriga que a partir desta idade os atletas joguem apenas em equipes específicas de seu gênero.

 

Nati vai ser lapidada na base azurra nos próximos anos
Nati vai ser lapidada na base azurra nos próximos anos-(Foto: )

 

É uma conquista de cada vez para a menina que provavelmente não tem a dimensão do seu feito no esporte brasileiro. Até porque quer apenas jogar futebol. Agora, cabe ao Avaí dar condições de prover que Nati tenha condição de mostrar o que pode fazer com a bola nos pés e entre outras crianças de sua idade.

 

– Temos assistente social e psicóloga para acompanhar tudo. Vamos conversar com a Nati e com os meninos com naturalidade, encontrar uma forma para que todos se sintam bem e convivam bem. A própria atleta vai ajudar muito também por ter outras experiências em jogar apenas com garotos, e outras situações vão surgir. Mas será tranquilo, nessa idade há boa compreensão daquilo que passamos – relata Fernandes.

Fonte: Nsctotal.com.br
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