Atualizado 08/11/2018

Número recorde de mulheres se elege para Congresso dos Estados Unidos

Um número recorde de mulheres conquistou uma vaga no Congresso nas eleições americanas, incitadas pela antipatia ao presidente Donald Trump e encorajadas pelo movimento #MeToo, tornando o Partido Democrata mais diverso e jovem do que nunca.

 

Entre as futuras ocupantes do Capitólio estão a congressista mais jovem já eleita no país, a nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, de 29 anos, Abby Finkenauer de Iowa, as duas primeiras legisladoras de origem indígena (Sharice Davids, do Kansas, e Debra Haaland, do Novo México), e as duas primeiras muçulmanas (a palestina-americana Rashida Tlaib e a somali-americana Ilhan Omar, que fugiu ainda criança da guerra na Somália).

 

Os resultados ainda estão chegando, mas já se sabe que pelo menos 123 mulheres foram eleitas, um recorde de ao menos cem para a Câmara de Representantes (15 a mais que o recorde anterior, que era de 85), e 23 ao Senado (mesma cifra que antes), informou o Centro para a Mulher Americana e a Política da Universidade de Rutgers (CAWP).

 

"Quanto mais americanos votarem, mais nossos líderes eleitos se parecerão com os Estados Unidos", disse o ex-presidente Barack Obama, elogiando o recorde de mulheres, um aumento dos legisladores pertencentes a minorias e o recorde de participação nas eleições.

 

A ampla maioria de mulheres recém-eleitas é democrata. Fazem parte da lista veteranas de guerra, uma ex-agente da CIA, uma professora que cresceu com uma mãe dependente química, uma ex-garçonete e dezenas de candidatas novatas.

 

Muitas se lançaram na política indignadas pela vitória de Trump sobre Hillary Clinton, considerada muitas vezes a candidata à Presidência mais qualificada da história, e derrotada apesar das acusações contra o bilionário de comportamento sexual indevido, que se gabou de poder pegar a mulher que quisesse, agarrando-a pelos genitais.

 

Outras estão em choque com o que consideram abusos do governo Trump: tentativas de limitar a cobertura de saúde, restringir o direito ao aborto, separar famílias imigrantes na fronteira ou ameaçar normas de proteção ambiental.

 

- "Injustiças" -

 

"Não vamos parar até que este governo sem coração seja responsabilizado por suas incontáveis injustiças", tuitou Donna Shalala, ex-ministra do governo Bill Clinton, que derrotou uma candidata republicana na Câmara Baixa da Flórida, defendendo a educação, a saúde pública e a segurança social.

 

O êxito das mulheres negras foi notável. Os estados de Connecticut e Massachusetts elegeram as primeiras mulheres afro-americanas ao Congresso.

 

Outras duas democratas, Verónica Escobar e Sylvia García, fizeram história como as primeiras latinas eleitas ao Congresso pelo Texas, um estado profundamente republicano.

 

Cerca de um terço das mulheres eleitas à Câmara baixa são novas na política. Um total de 40 pertencem a minorias étnicas e outras a minorias religiosas ou sexuais, segundo contagem do CAWP.

 

São vozes totalmente novas, "que nunca tinham chegado à mesa da política federal", declarou Kelly Dittmar, professora adjunta de Ciência Política da Universidade de Rutgers e acadêmica do CAWP.

 

As mulheres que pertencem a minorias "veem os benefícios de ocupar cargos eletivos como maiores que os custos e desafios potenciais", disse à AFP.

 

Também foram eleitas, pela primeira vez, mulheres governadoras em Iowa, Maine e Dakota do Sul, assim como no território de Guam. Em Michigan e Kansas, mulheres democratas arrebataram os cargos de republicanos.

 

Mas o que significa ter mais mulheres em cargos eletivos?

 

- "Moderar as expectativas" -

 

Significa que elas estarão mais bem representadas. Estudos demonstram que é mais provável que mulheres e não homens planejem políticas relativas à saúde feminina e à família.

 

A governadora eleita do Michigan, Gretchen Whitmer, atribuiu seu êxito e o de outras mulheres nesta quarta-feira a terem trabalhado mais que seus adversários e se concentrado "nos temas que se discutem na mesa do jantar, que realmente importam às famílias", como "saúde e água potável".

 

O Comitê Nacional do Partido Democrata comemorou o aumento de mulheres que constitui, em sua avaliação, "um repúdio taxativo às tentativas de Donald Trump e do Partido Republicano de voltar atrás na cobertura de saúde das mulheres e de seus direitos ligados à reprodução".

 

E anunciou que apoiará os esforços para obter "igualdade de salário, licença maternidade, cobertura médica e cuidado das crianças a preços acessíveis".

 

Embora as conquistas republicanas incluam a primeira senadora eleita pelo Tennessee e a primeira governadora da Dakota do Sul, há preocupações de que a aberta disparidade democrata possa ampliar as divisões partidárias.

 

Um relatório de 2015 do instituto Pew Research Center situou os Estados Unidos em 33º lugar entre 49 países de alta renda e em 83º em um grupo mais amplo de 137 países em termos de representação feminina no Legislativo nacional.

 

"Temos que moderar nossas expectativas um pouquinho", alertou Dittmar. Apesar dos avanços nestas eleições, as mulheres "ainda serão menos de um quarto do Congresso", acrescentou. "A liderança republicana masculina ainda domina a agenda".

Fonte: Diário Catarinense
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